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Necrófilo é o sujeito que transa o corpo. Isto é, o necrófilo gosta de ter relações sexuais com cadáveres. Por ter esta preferência de só se relacionar com mulheres frias, literalmente, o necrófilo vive sempre gripado e quase sempre morre de pneumonia.
A necrofilia já deu muito chifres posteriores em viúvos. O necrófilo experimentado não perde um enterro. É um penetra de velório. Vai checar as vítimas femininas. Não é fácil reconhecê-lo, mas, às vezes, ele se trai. Se na hora em que todos estiverem dando o beijo de despedida alguém beijar a defunta na boca, por mais de quinze minutos, esteja certo: é um necrófilo. Se na hora do enterro ele ficar dizendo pro coveiro: "Não enterra muito fundo, não. Aí tá bom, aí ta bom", podem saber, é ele.
Os necrófilos têm uma vida sentimental com mulheres vivas. Mas é tumultuada e difícil. Eles sempre reclamam da parceira, dizendo que elas estão muito quentes. - "Puxa, você não para quieta. Deite aí. Fique durinha, que coisa!", diz o necrófilo. E a mulher: - "Mas você só me quer parada; nem dormindo eu te agrado! Ta bem, vou ficar quieta, paradona, dura." E a mulher faz esse sacrifício, fica lá tesa para que ele tenha tesão. Mas vocês acham que o necrófilo fica satisfeito? Vira para ela e diz: - "Você está respirando." A mulher, é claro, se enche: - "Quer saber de uma coisa? Vou-me embora. Vou sumir da sua vida. Cara louco! Não me procure mais. Eu morri pra você." Quando ela diz: - "Eu morri pra você," o necrófilo se enche de tesão, fica apaixonado e não dá mais sossego à mulher. Portanto, mulher navegante deste blog, se você quiser agradar a um necrófilo, você tem que estar sempre morrendo de raiva, morrendo de medo, morrendo de frio, morrendo de fome, enfim, morrendo de alguma coisa. Mas, não caia na bobagem de se suicidar, porque você vai perdê-lo para sempre.
Talvez seja uma informação fria, mas diziam que Olavo Bilac, o poeta, era necrófilo. Pode ser que a frase do seu mais conhecido poema - "Ora direis ouvir estrelas" - tenha sido feita à noite, no cemitério, entre uma enxadada e outra. Disseram a mesma coisa de Castro Alves. Em seu poema quando ele chama "Deus, ó Deus, onde estás que não respondes?, os eternos fofoqueiros dizem que Deus não respondeu porque sabia da fama do poeta. Deus deve ter pensado: - "Niestzsche andou dizendo que Eu morri: agora, este brasileiro não me deixa sossegado."
É papo de necrófilo?
- Ela era incrível! Como não mexia bem!
- Foi traumatizante. Ela tinha catalepsia. Vivia trepando comigo.
- Odeio quando enchem o caixão de jasmim. Sou alérgico!
- Temos que fazer um protesto contra a cremação. É um crime. Desse jeito os necrófilos serão extintos da face da Terra.
- Conheci uma necrófila.
- Como? Necrófila não existe. O homem quando morre não... não... não sobe, uai!
- Mas quem disse que essa necrófila gosta de defuntos macho?
- Necrófila sapatão?! Aonde vamos parar? É o fim do mundo!
Uma vez conheci um necrófilo, perguntei-lhe se não era muita morbidez, se não era uma doença mental esta tara dele. Ele me respondeu: - "Você não come galinha morta, come? Ninguém come galinha viva." Não adiantou eu dizer que não tem nada a ver. Esta é a melhor e única desculpa que eles têm. Eu perguntei como ele tinha se tornado necrófilo. Ele disse que foi ouvindo a história infantil da Bela Adormecida no bosque; disse que quando garoto, ouvia a história e ficava pensando e imaginando que todo mundo que passava pelo bosque e encontrava a Bela Adormecida ali, esperando o príncipe, tirava uma casquinha dela, inclusive os sete anões.
É por isso que sou a favor da cremação. Quando eu morrer quero ser cremado. Sei lá se me aparece um necrófilo tarado e me vira de bruços! Eu, hein?! To fora mano ! Nem morta!

Esse cara só gosta de leite geladinho. Às vezes parece brincadeira, mas é sério, isso existe mesmo!



